Rapport

A Maria acordou expectante. Aquela era a manhã em que iria ter uma importante entrevista de trabalho. Encontrava-se na última fase do processo de seleção para aquele emprego. Nesse dia, Maria iria ser entrevistada pelo CEO da empresa e sabia que tinha de o impressionar. Apesar de estar segura das suas competências e capacidades, era um momento de algum nervosismo em que, em apenas uma conversa curta, teria de conseguir passar toda a informação que pretendia e transmitir todo o seu valor enquanto profissional. 

Maria sabia também que a comunicação é um dos aspectos mais fundamentais do ser humano e que a comunicação oral, aquilo que se diz, tem um peso de apenas 7% em todo o processo de transmissão da mensagem. Estava familiarizada com a importância da linguagem corporal, de tudo o que não era oralidade e, como tal, estava disposta a experimentar a eficácia de uma das mais poderosas ferramentas da PNL: o rapport.

Genericamente, o rapport é uma técnica de espelhamento corporal com vista a abrir um canal de comunicação eficaz com o outro, estabelecendo rapidamente uma relação de empatia, confiança e respeito mútuos. É algo que fazemos inconscientemente a todo o momento e que ganha uma força enorme quando o fazemos deliberadamente. 

Sendo o rapport uma técnica de espelhamento corporal não significa que seja uma imitação pura e simples dos gestos do nosso interlocutor. Pelo contrário, quando deliberadamente estabelecemos rapport com o outro, devemos evitar este tipo de comportamento que pode tomar proporções exageradas, ridículas e chegar mesmo a ser ofensivo. O rapport é mais como uma dança subtil em que a linguagem corporal dos intervenientes se sincroniza, como se o gesto de um complementasse o gesto do outro. Tornamo-nos assim semelhantes e, como tal, abrimos as portas da nossa confiança. É-nos sempre mais fácil gostar de quem é igual a nós.

Mas como promover deliberadamente este processo?

Determinada em estabelecer rapport com o CEO, a Maria sabia que tinha de o fazer subtilmente. Assim, começou logo com o aperto de mão. O CEO ofereceu-lhe uma mão firme e determinadA. Maria respondeu exatamente da mesma maneira. Percebeu também que o seu interlocutor tinha uma voz baixa e introspectiva e adotou o mesmo tom de voz. Finalmente, quando se sentaram frente a frente, Maria utilizou uma das mais simples e mais poderosas formas de criação de rapport: a respiração. Alinhou o seu ritmo respiratório com o do seu entrevistador. A conversa fluiu com facilidade, Maria transmitiu tudo aquilo que sabia ser importante enquanto respondia às perguntas cada vez mais entusiasmadas do CEO sentado à sua frente. Quando a postura dele relaxou, Maria permitiu que a sua relaxasse um pouco também. No final, antes de se levantarem para as despedidas, Maria reparou que ambos estavam sentados com a perna traçada exatamente para o mesmo lado. O rapport tinha passado a barreira do deliberado e tornado-se natural e inconsciente, prova que fora eficiente. Duas semanas depois, Maria estava a sentar-se na sua nova secretária de trabalho, pronta para abraçar a nova fase da sua carreira. O CEO não hesitara em apontá-la como a melhor candidata para o cargo. 

Com um simples sincronizar de movimentos estabelecemos rapport com o outro, potenciamos a nossa comunicação e abrimos um novo campo de confiança e respeito mútuo elevando a qualidade das nossas relações humanas. Duvida? Experimente por si e escreva-nos a contar os seus resultados.

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